Murphy

Fiction por Carolina Ramos - Betagem por Tiffannyk

Indice: [1], [E] @


Capítulo Único


Eu lembro ter ouvido o despertador do celular tocar, mesmo estando com fones de ouvido. Mas, ao invés de acordar, desliguei o alarme, arranquei os fones e joguei tudo para o lado. Dormi de novo, esperando que minha mãe me acordasse. Acordei sozinha, alguns minutos depois, porque estava muito calor, mas não estava desperta o suficiente para levantar e me arrumar para a escola. Tenho que começar a dormir mais cedo. Fiquei parada na cama, suando, agoniada, mas morrendo de preguiça. Torci para que o despertador dela estivesse estragado e ela acordasse tarde demais... Então eu faltaria aula. Quando me animei com essa possibilidade, mamãe bateu em minha porta.
- Bom dia, filha – ela entrou no meu quarto – eu acordei atrasada, se arrume depressa.
Droga.
Levantei sem pressa nenhuma e me arrastei até o banheiro. Entrar embaixo da água gelada foi revigorante. Não acabou completamente com meu sono, mas pelo menos eu não estava grudando mais. É sério, passe um verão no Arizona e você entenderá o que eu digo. Esse clima me tira dos nervos. Faltava pouco para o verão acabar, já era quatro de agosto. Terminei minha higiene matinal e voltei ao quarto. Mal comecei a colocar meu jeans e minha mãe já estava gritando.
- Já vou!
Terminei de me vestir, passei meu perfume e desci correndo com a escova de cabelo na mão. Minha mãe já tinha tirado o carro da garagem. Não deu tempo de pegar nada para comer, o que era bem ruim. Eu sempre acordo com fome e se eu não comer eu fico de mau humor. Fui ouvindo bronca o caminho inteiro. Minha mãe não cansava de dizer o que eu precisava ter responsabilidade e acordar sozinha, parar de enrolar e blábláblá. Eu sabia que ela tinha razão, mas isso não tornava a conversa agradável. Para melhorar, eu tive que pentear o cabelo com os vidros abertos, porque minha mãe tem alergia a ar condicionado e não havia a mínima condição de deixar tudo fechado. Nesses momentos eu me lembrava do quanto precisava logo do meu carro.
Cheguei à escola com o cabelo todo arrepiado e cheio de frizz, atrasadíssima, suada e cheia de fome. Foi um dia que começou pessimamente. Não me deixaram entrar para o primeiro horário, então aproveitei para ir comer alguma coisa. A moça da cantina não me deixou comprar nada porque era horário de aula etc. etc. etc. e eu precisava da autorização da coordenadora. A mesma que, no caso, é uma vadia e me odeia. Que legal. Mas meu estômago estava roncando alto e eu resolvi tentar.
- Bom dia - sorri, tentando ser fofa ao entrar na sala Sra. Sanders. Ela me olhou por cima dos óculos, fazendo questão de mostrar todo o desgosto que a minha presença ali a provocava.
- Deixe-me adivinhar: atrasada de novo.
- Pois é... - nem tentei me justificar dessa vez. Cansei.
- Você sabe que, se chegar atrasada mais uma vez, vou ter que conversar com sua mãe, não sabe?
- Possivelmente.
Eu mereço. Mereço mesmo ter que ouvir a mesma coisa duas vezes no mesmo dia. Pelo amor de Deus, minha senhora, eu estou com fome. Antes que ela começasse o sermão, cortei-a.
- Eu só queria pedir autorização para comprar alguma coisa na cantina.
Ela apertou os olhos.
- Você demorou tanto assim para chegar e não teve tempo de comer?
- Não, senhora.
Ela balançou a cabeça negativamente. Olha, dona, pode ser tão Umbridge quanto quiser, mas não agora. Só me dê minha autorização antes que eu desmaie.
- Vou fazer a autorização por escrito. - ela pegou um pedaço de papel e começou a rabiscar. Respirei aliviada. - E uma advertência. - Porra, minha senhora! - Você não pode continuar desse jeito.
Ela me entregou o papelzinho.
- Sua advertência será levada até sua sala mais tarde. Traga assinada amanhã.
Fui embora da sala dela sem falar mais nada. Não agradeci, mas pelo menos não a mandei ao inferno. Olhando bem, ela realmente se parecia com a Dolores Umbridge. Mas sem as roupas cor-de-rosa, os gatos e a risadinha. Pelo menos isso. Acho que ela também não tem aquela pena que faz as palavras escritas aparecerem na sua mão. Ou talvez tenha.
Não duvidaria se ela fosse bruxa.
Enfim, cheguei à cantina e consegui comprar minha comida. Detonei um cachorro-quente gorduroso e nojento; era o que eu precisava para ficar mais feliz. Acabou bem rápido, no entanto. Ainda faltavam vinte minutos para o segundo horário e eu fiquei sentada num banquinho. Procurei meu ipod na bolsa, mas ele não estava lá. Nem o celular. Lembrei que os esqueci em cima da cama.
Murphy, you bitch.
Fiquei olhando o nada e tirando o esmalte roxo das unhas com os dentes. Quando o sinal finalmente soou agudo e forte, corri até minha sala. O professor de biologia estava saindo, puxou-me pelo braço e disse que eu tinha perdido uma parte importante da matéria. Quase disse a ele que isso era o de menos, comparando a tudo que tinha me acontecido até agora. Entrei e dei uma boa olhada em Dave antes de qualquer outra coisa, como sempre. Ah, Dave. Ele é daqueles garotos imaturos e idiotas, mas é tão gostoso... Ele estava conversando com a garota mais bonita - e fácil - da classe. Tão típico. Dirigi-me ao meu lugar de sempre, mas não estava vago. E não tinha nenhum perto. Minhas amigas fizeram aquelas caras sonsas de “foi mal, não conseguimos guardar”. Tive que sentar do outro lado da sala.
O horário seguinte era de Literatura, ou seja, eu teria o primeiro momento feliz do dia. Mas não, o professor estava doente e foi substituído pelo de Química, que deu matéria como se a aula realmente o pertencesse. Comecei a considerar que não devia ter acordado. Fui ficando sonolenta com aquela matéria horrorosa e acabei cochilando. Acordei quando ao final da aula, quando o sinal bateu. A Sra. Sanders foi levar minha advertência. Preferi nem ler para não me aborrecer. Guardei o papel e dormi de novo.
- Ei, Bela Adormecida! - ouvi alguém berrando e senti as cócegas de um dedo no meu ouvido. No. Meu. Ouvido.
- QUEM FOI A PUTA QUE... - esbravejei, pensando que era alguma das minhas amigas, ao levantar a cabeça e encarar... O professor de Sociologia. Chamei meu professor de puta. Ótimo. A sala inteira começou a rir e eu senti meu rosto em brasa.
- Vá lavar o rosto - ele não parecia nem um pouco feliz, no entanto.
Eu fui. Tenho que parar de falar essas coisas assim, sem pensar. Tenho uma boca suja demais e isso não é muito apropriado para garotas de família como eu. Não acho que tenho que ser uma “mocinha” comportada nem nada, mas falar palavrão sempre foi ruim para mim. Como agora, por exemplo. Olhar meu reflexo no espelho do banheiro me deixou bem desesperada porque eu estava realmente feia. Agora, além da juba, eu estava com a cara amassada. Mas que se dane. Lavei o rosto e as mãos e voltei à sala. A aula passou rápido, porque eu gosto da matéria, mas o professor estava visivelmente aborrecido comigo.
O sinal para o intervalo bateu e eu saí correndo da sala, sem esperar ninguém. Esbarrei com a guria mais nojenta do colégio inteiro e ela fez uma cara tão podre que eu fiz questão de nem pedir desculpas. Enfrentei a fila enorme da cantina para comprar alguma coisa. Nem me toquei que já tinha comido até olhar o pacote de biscoitos e não ter vontade de comer. Fiquei sentada num canto do pátio, na sombra. Que calor filho duma puta. As meninas acenaram de longe para eu ir até onde elas estavam, eu fiz que não com a cabeça. Não estava afim. Elas também não fizeram muita questão, então foda-se.
Voltei à sala ao final do intervalo e me sentei no meu lugar péssimo. Meu mau humor era tão sério que nem eu estava aguentando. Misturado com o sono e o tédio, potencializava-se de forma quase contagiante. Comecei a me imaginar como um desenho animado, com uma enorme nuvem negra sobre a minha cabeça. Abri o caderno em uma folha qualquer e comecei a rabiscar qualquer coisa. Acabou ficando um desenho bonito. Era um garoto de cabelo preto e comprido, com olhos castanhos. Olhei para o lado e vi o . O desenho era a cara dele. Acho que toda garota já teve uma paixão platônica, não correspondida, doentia e imbecil que dura para sempre e sempre. era isso para mim. Terminei o desenho, dando os últimos retoques. Nem percebi que o professor estava ao meu lado.
- O que tem aí que é mais interessante que a minha aula?
Dei um pulo de susto e tentei esconder o caderno.
- Quero ver.
- Não professor, eu já parei.
- Eu quero ver.
E ele tomou o caderno da minha mão, simples assim.
- Olha só que bonito. - Ele se virou para o - Parece ele! - E mostrou o caderno para a sala toda. O que foi uma merda, porque digamos que pelo menos metade das pessoas presentes sabia dessa minha paixãozinha mal-resolvida. Inclusive o próprio alvo dela. Senti meu rosto queimar e me escondi com as mãos. - Você desenha bem, mas faça isso em outro momento. Você tem até o final da aula - olhou no relógio - ou seja, cinco minutos, para copiar o quadro. Se não tiver terminado, eu te faço uma ocorrência. Ignorei os comentários alheios, enfiei o rabo entre as pernas e tentei não xingar todas as gerações da família do meu querido professor filho da puta. Comecei a copiar porque não podia me dar ao luxo de ir de novo à sala da Sra. Sanders. Terminei junto com o sinal. O professor saiu da sala e nem olhou, o que significa que eu poderia ter escrito cem vezes “Meu professor é um bosta” e ele nem veria.
Ainda faltavam duas aulas para eu poder ir para casa e dormir o dia inteiro para não me estressar mais. Resolvi tentar prestar atenção para ver se o tempo passava mais rápido. E até funcionou. Não vou mentir que entendi tudo do conteúdo dado, mas pelo eu me distraí. Quase ao final da última aula, minha mãe me mandou uma mensagem dizendo que não podia me buscar e que eu poderia pegar um ônibus e almoçar no shopping. Eu já tinha ficado entediada de tanto odiar tudo, então só mandei um “ok” em resposta. Logo a aula acabou. Arrumei meu material, coloquei alguns livros no armário, dei um tchau apressado a algumas pessoas e caminhei preguiçosamente até o ponto de ônibus. O desnecessário do fez questão de parar ao meu lado e sorrir bem cínico.
Respirei fundo e me segurei para não destruir aquela cara linda dele. O que me mantinha serena era a imagem de um enorme cheeseburger duplo com batata frita e milk-shake.
Agradeci por não estar de carro quando vi o estacionamento do shopping hiperlotado. Fico imaginando se as pessoas não têm mais nada para fazer da vida quando vejo o shopping lotado numa quinta-feira na hora do almoço. Fui correndo até meu fast-food favorito e pedi minha refeição calórica com gordura trans e celulite de brinde. Quem liga se a minha bunda vai aumentar? Aparentemente todas aquelas pessoas no shopping já tinham almoçado, porque a praça de alimentação estava até bem vazia. Deviam estar comprando coisas caras e desnecessárias. Melhor para mim. Sentei e comecei a devorar aquela batata dourada, quentinha e crocante.
- Com licença - uma voz me despertou da minha reflexão sobre minhas veias entupindo. Levantei o olhar. Um garoto alto, bem magro, com cabelo loiro-escuro e comprido estava parado em frente à mesa, segurando uma bandeja. - Posso sentar contigo?
Olhei em volta. Havia pelo menos cinco mesas vazias.
- Por que você faria isso?
- Bem, se você prefere ficar sozinha, eu saio. Perdão. - Ele deu as costas.
- Ei, espera.
Ele deu a volta e colocou a bandeja sobre a mesa.
- Se você quiser, eu fico quieto. Sério. Eu só não quero ficar sozinho. Posso sentar?
Fiz que sim com a cabeça. Ele sorriu e se sentou. Olhando assim, ele era bem bonito. De verdade mesmo. O sorriso dele era bem certinho e branco e os olhos eram esverdeados.
- Se você não quer ficar sozinho, então por que está aqui?
Ele riu.
- Você é sempre assim?
- Só quando estou de mau humor. Acordei de ovo virado hoje.
Ele semicerrou os olhos com a parte do “ovo virado”. Eu ri. Pela primeira vez no dia, eu ri.
- Desculpa. Eu sou desbocada assim. - Mordi uma batata - Você não respondeu minha pergunta.
- Ah, sim. Hoje é meu aniversário e minha família deu um jeito de me tirar de casa pra fazer uma festa surpresa.
- Festa surpresa, hein? – Sorri. - Feliz aniversário, então...
- John.
- John. Sua família deve ser uma graça.
- Obrigado. Sim, eles são - ele sorriu. - E você? - ele começou abrir a caixa do seu hambúrguer enquanto falava.
- Eu o quê?
- Não sei. Conte-me algo.
Por qual parte do fracasso da minha vida eu poderia começar?
- Não sei, acho que não tem nada muito legal.
- Aposto que tem. Mas se pode falar só seu nome, se quiser.
- . Pode me chamar de .
- Muito prazer, .
Sorri amarelo e continuei comendo. Ele comeu também, mas não tirava os olhos de mim.
- Não vou conseguir arrancar nada de você, né?
Ah, querido, se você continuar me olhando assim, eu deixo você arrancar minhas roupas.
- Não.
- Isso tudo é medo?
- Medo de quê?
- É o que eu quero saber.
Bufei. Minha tática não ia funcionar com ele.
- Ok, você venceu. Meu nome é . Eu estudo, fico tempo demais na internet, fotografo, escrevo de vez em quando e gosto bastante de música. Costumo ser legal. Mas hoje tudo deu errado, então estou tentando ficar calada pra não falar merda.
- Ficou parecendo perfil de rede social, mas tudo bem.
- Você é muito chato.
- Eu sei - ele sorriu e depois mordeu o sanduíche. Ótimo, pelo menos assim eu conseguia prosseguir com meu almoço.
- Sabe, não importa o quanto o seu dia esteja ruim, ele sempre pode melhorar. Basta que você veja as coisas de um jeito diferente.
Pensando bem, até que ele tinha razão. Talvez eu estivesse sendo muito dramática o tempo inteiro. Mas não podia dar o braço a torcer. Fiz que sim com a cabeça e tomei um pouco de milk-shake.
- Além de chato e cheio de frases prontas, o que mais você tem de interessante?
Ele deu de ombros e mostrou as palmas das mãos. Terminando de mastigar, ele tomou um gole do seu refrigerante e lançou:
- Vou deixar você decidir o que mais eu sou, se você quiser. Tenho que enrolar por aqui até a hora de ir para casa. Me acompanha?
Ergui uma sobrancelha para ele.
- Não vou te fazer nenhum mal. E se eu te aborrecer, pode ir embora e pronto.
- Justo.
Terminamos de comer e andamos pelo shopping. Passamos em uma loja de instrumentos e em uma livraria, depois decidimos caminhar um pouco pela cidade. Ao lado dele, eu não tinha que medir minhas palavras nem me sentir idiota, como quase sempre acontecia. Comecei a me deixar levar e aí as coisas ficaram divertidas.
- John? - chamei, enquanto tomávamos um sorvete num parque perto da minha casa.
- Oi?
- Você tá sujo.
- Sério? Onde?
- Aqui - eu disse, jogando minha casquinha na testa dele.
Ele ficou imóvel, todo melecado, me olhando muito feio enquanto eu tinha uma crise de riso.
- Você não devia ter feito isso.
Continuei rindo, apertando minha barriga já dolorida e limpando os olhos. Caí sentada num banco de madeira que estava por perto. Ele veio andando devagar e jogou o sorvete dele no meu cabelo. Fechei os olhos e senti algo meio líquido e gelado escorrendo pela minha cabeça. Agora era a vez de ele ter um colapso de riso. Comecei a rir também.
Ficamos sentados no banco, morrendo de rir juntos, completamente melecados de sorvete. As pessoas passavam e nos olhavam com cara feia.
- Ok. Decidi mais uma coisa que você é - comentei ainda ofegante, depois de me recuperar um pouco.
- Lindo? Eu sei.
- Que metido! Cala a boca! - Dei risada. - Nem vou mais falar.
- Ah, fala.
- Pra quê? Pra você ficar se gabando aí?
- Não, sério. Fala.
- Você é... Divertido - sorri com sinceridade.
- Isso é bom?
- Claro que sim!
- Bom. Achei que você fosse falar algo tipo “simpático”. Simpático é adjetivo pra gente feia.
Dei risada.
- Você realmente se importa tanto se as pessoas aprovam sua aparência ou não?
- Não todas. Só gurias bonitas e rabugentas que comem mais que eu e me sujam de sorvete.
- Então você não tem que se importar comigo, eu não sou metade do que você falou aí.
O telefone dele tocou. Ele atendeu e ficou ouvindo por um tempo e murmurando coisas como “aham”, “ok” e “tá bom” e depois se despediu.
- Era minha mãe. Ela falou que eu tenho que ir pra casa rápido “pra me arrumar e ir pro meu jantar” - ele desenhou as aspas no ar.
- Parece que arrumaram rápido essa sua festa. Como você descobriu?
- Digamos que minha família não é muito boa em esconder segredos. Eu só precisei chantagear meu irmão mais novo e ele confessou tudo rapidinho.
- E qual chantagem foi essa?
- Falei que ia contar pro meu pai que ele anda usando o notebook dele pra ver sacanagem.
Eu ri tão alto que uma senhora que estava passeando com o cachorro me olhou como se eu fosse maluca. Talvez eu seja mesmo. Mas ela não tem nada a ver com isso.
- Sua família realmente parece ser muito legal.
- Quer conhecê-los?
- Como assim?
- Estou te convidando pra ir comigo.
- Eu adoraria... mas alguém jogou sorvete em mim, sabe, então eu acho que não vai rolar.
- Então somos dois. - ele pegou minha mão e colocou sobre a própria testa, que já estava mais que grudenta.
- Valeu pelo convite, John. Mas eu realmente não posso.
- Por quê?
- Eu não ficaria à vontade chegando a uma festa de uniforme e toda suja. Além disso, minha mãe não deixaria.
- Tudo bem, eu entendo que você não quer ir.
- Eu quero! Mas não posso.
- É brincadeira, . De qualquer forma, minha mãe com certeza te mostraria minhas fotos de criança e isso seria um saco.
- Passado comprometedor?
- Completamente. Quer que eu te deixe em casa?
- Não, não se preocupe. Eu moro aqui perto. Não se atrase para sua super festa.
- Ok. Vou poder te ver de novo?
- Só se você quiser.
Ele sorriu e tirou o celular do bolso.
- Disca seu número aí. Sabe, só pra não correr o risco de você me dar o telefone de outra pessoa. - Disquei e o celular tocou no meu bolso. - Ótimo. Agora você também tem o meu.
Salvei o número dele.
- Mais alguma coisa?
- Não sei. Tem?
Dei de ombros. Se eu fosse esperta, deixaria que ele me levasse em casa. Não o chamaria para entrar, é claro, mas pelo menos ele saberia onde eu moro. Quem sabe ele até me beijaria antes de ir embora, como nos filmes. Mas essa não sou eu mesmo, então fiquei satisfeita em abraçá-lo e beijei sua bochecha.
- Feliz aniversário, John. Boa festa.
- Obrigado, . Até mais.
- Até.
Virei-me e comecei a andar na direção da minha casa. Olhei para trás e ele também. Sorri, acenei de novo e segui meu caminho. A gente perde muito tempo na vida reclamando de tudo e raramente faz alguma coisa para melhorar a situação. Mas de vez em quando aparecem pessoas que nos fazem reconhecer isso, basta deixar que elas tomem seu devido lugar.
Quando coloquei os pés no meu quarto, recebi uma mensagem. Era uma foto de um bolo branco com Happy bday John escrito em azul. Abaixo estava o texto “Quer que eu guarde um pedaço?” O remetente era, obviamente, o John. Sorri para mim mesma e respondi “Com certeza!”
É, a lei de Murphy pode ser uma vadia. Mas não o tempo todo.



N/A:E minha amiga oculta é ~tcharararam~ a Tiffannyk! Foi uma honra e um tormento tirar você, Tiff. Depois de muitas dúvidas, resolvi completar uma história que eu comecei a escrever pra um especial do Dreamstore que não rolou. (Aquele do "Grande Dia" ou algo assim.) Espero que esteja ao seu gosto.
Dependendo da repercussão, eu continuo a história. Quero aproveitar a oportunidade pra agradecer por tudo que você tem feito pelo Fred, porque isso me deixa muito feliz, e por eu estar na equipe. Te admiro muito, guria. BeijOhh. <3


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