
Nota Inicial: Todos nós sabemos que McFLY é uma banda inglesa, mas para encaixar minha idéia na fic, a história se passa no Rio de Janeiro – RJ, Brasil, e a banda é de lá. Vocês entenderão o porquê. Outra coisa, coloquem esse vídeo pra carregar e apertem play quando a letra aparecer. É um das minhas músicas de Natal preferida!
enfeita sua árvore de Natal e termina de colocar os enfeites em todo canto de seu apartamento luxuoso, próximo a praia de Copacabana, Rio de Janeiro, enquanto apenas observa, sentado no sofá da sala de estar, visivelmente entediado.
O ar-condicionado está ligado numa temperatura abaixo de 20 graus pra compensar o calor que faz lá fora – resultado do verão brasileiro de dezembro.
- Por que você não sai e vai fazer alguma coisa em vez de ficar me observando o tempo todo? – pergunta ao amigo sem olhá-lo.
estreita os olhos e responde:
- E abrir mão desse ar-condicionado? De jeito nenhum! Prefiro ficar sem fazer nada a sair pra enfrentar 40° graus lá fora!
- E por que você não aproveita e me dá uma mãozinha? – levanta as duas mãos, uma segurando uma toalha natalina, dobrada, e a outra, uma pequena rena de madeira.
- Eu tentei, há uma hora, mais ou menos, mas você disse: “Se for pra atrapalhar, prefiro que não faça nada”, só porque eu coloquei uma bolinha de Natal no ângulo errado – revira os olhos, lembrando-se da maluquice do amigo.
levanta os ombros, pensando em como aquilo era óbvio e desiste da ajuda.
Meia hora depois, está dormindo no sofá quando senta ao seu lado, com o notebook no colo, jogando todo o seu peso de uma vez e acordando .
- O que foi? – pergunta, vendo bufar e digitar sua senha no Twitter.
- Está faltando alguma coisa! – ele reclama.
passa os olhos pelo cômodo e repara que todo cantinho tem algum enfeite natalino: Papais Noeis de todos os tamanhos, renas, bonecos de “neve”, toalhas em todas as mesas e dizeres de “Feliz Natal” pelas paredes. Ele arregala os olhos para o amigo.
- Você tá falando sério? – questiona, mas antes de receber alguma resposta, vê o que acaba de postar no Twitter:
“Droga, acabei de decorar meu apartamento para o Natal, mas sinto que ainda está faltando alguma coisa!”
- Eu sei o que está faltando – diz , sobressaltando e . – Meu presente embaixo daquela árvore – ele aponta para a árvore mais enfeitada que já viu.
está parado atrás do sofá e acabou de chegar da praia, onde estava com , que entra, logo em seguida, no cômodo, fechando a porta atrás dele.
- Uou! O que passou por aqui?! – impressiona-se , olhando em volta.
levanta-se do sofá irritado com a indiferença dos colegas de banda, deixando o notebook de lado, aponta para os chinelos de e e diz:
- Espero que tenham limpado bem a areia, pois eu acabei de limpar o chão!
Eles giram os olhos e vão para a área de serviço guardar as coisas de praia.
, , e formam uma banda, McFLY, junta há 7 anos, no Rio de Janeiro. Eles possuem sucesso nacional, mas já fizeram apresentações na Argentina e no México e estão, atualmente, gravando seu novo disco na gravadora da cidade.
Os quatro chegam à gravadora 10 minutos antes do marcado, onde precisam combinar quais músicas já prontas vão para o CD, quais não vão e se há necessidade de escrever e gravar novas, e caminham até , uma das funcionárias mais ativas do local e que sabe de tudo que acontece lá dentro.
- E aí, ? – cumprimenta , sorrindo.
apenas o encara, séria, já conhece as segundas e terceiras intenções de .
- Carlos já chegou? – ele pergunta pelo produtor.
- Não – ela responde, olhando nos olhos dele. – Na verdade, ele acabou de ligar dizendo que vai se atrasar uns 15 minutos.
alarga o sorriso e lança um olhar significativo aos seus três colegas de banda, que saem de perto imediatamente.
- Então – ele começa –, já que temos tempo, que tal você finalmente me passar seu telefone?
sorri cínica, pensando em como é realmente atraente e tem um lindo sorriso, mas conhece bem o tipo. Convive com artistas todos os dias e eles sabem como iludir uma mulher, mas não ela.
- Eu já disse não uma vez e continuo firme com minha resposta, agora, por favor, você poderia sair da minha mesa que eu tenho que trabalhar? – ela balança sua mão, fazendo sinal para que saia.
- Nossa, que grosseria! – reclama , forçando um tom de voz ultrajado.
- Eu disse “por favor”.
- Ok! – se rende, erguendo ambas as mãos em frente ao seu rosto. – Estou indo embora, mas saiba que eu não desisti! – Ele pisca um olho para ela.
não responde e ele vai até seus amigos, que estão sentados nas cadeiras da recepção.
- Outro fora? – pergunta , com um sorrisinho maldoso no rosto.
- Ainda não desisti – afirma, observando colocar uma mecha de seu cabelo atrás da orelha.
- Acho que o único jeito de você conseguir é pedindo ela de Natal pro Papai Noel! – sugere , rindo. – Você não tem muito tempo, já que é daqui uma semana!
revira os olhos, rindo ironicamente.
- Muito engraçado. Continua com as suas piadinhas sem graça, enquanto eu consigo ela pra mim!
Ele se senta ao lado de e continua observando e vê quando chega até ela e as duas começam uma longa conversa.
Depois da reunião, fecha sua agenda, onde anotou tudo que Carlos pediu, vê se aproximando e sorri para ele.
- E aí, Fane, tudo bem? – ele pergunta, sentando-se na cadeira ao lado dela.
- Oi, . Tudo bem e você? – junta suas coisas.
- Tudo bem. – Ele sorri. – Então, me conta o que você e tanto conversam?
estreita os olhos para ele, tentando decifrar sua intenção.
- Posso saber por que a curiosidade?
- Ah, você sabe... – faz uma cara irresistível de cachorro pidão. – Me dá uma pista do que eu faço pra... Ah, você sabe!
- Sinto informar, mas você não vai conseguir muito dela agora na época de Natal, já que ela tá muito ocupada com o seu projeto. – Ela levanta, com seus pertences em mãos.
- Projeto? – franze o cenho, tentando se lembrar de mencionando algum projeto, mas não consegue se lembrar de uma conversa que não envolvesse ele dando em cima dela.
- Sim. O projeto que ela começou no Natal do ano retrasado e que ela mantém até hoje para ajudar as crianças da comunidade onde ela nasceu.
arqueia as sobrancelhas.
- Não sabia que ela tinha isso.
- Devia, pois ela ama aquelas crianças. Chama-se “Para Um Natal Melhor”. Pesquise sobre ele. O que eu sei é que, no começo, era pra ser um programa só na época de Natal, mas ele é permanente. É um lugar na comunidade, onde cerca de 100 crianças podem ir praticar esportes e ter aulas de artesanato, teatro e música. Coisa assim. – Ela sorri. – Bom, era sobre isso que estávamos falando. Agora eu preciso ir. Até mais, !
vê quando ela passa por no corredor e eles trocam um breve olhar, mas com tanta sintonia e cumplicidade que o faz perguntar o que acontece entre os dois.
- Você tem certeza de que quer fazer isso? – pergunta .
- Tenho – responde, sentado com seu notebook no colo; passou a tarde inteira pesquisando sobre o tal projeto.
- Você quer fazer isso por ou pelas crianças? – senta-se ao seu lado com uma latinha de Brahma na mão.
- Hum... – pondera . – Os dois.
- Então, vamos – diz , tomando um gole de cerveja. – Estamos juntos nessa, como sempre.
, , e chegam ao endereço que foi anotado caprichadamente em um post-it verde limão. dá um passo à frente e começa a bater palmas e a chamar por alguém.
Uma senhora de aproximadamente 50 e poucos anos aparece no portão e imediatamente reconhece aqueles quatro rostos da TV.
- Pois não? – Ela sorri.
- Oi – começa, hesitante –, é... Nós queríamos fazer uma surpresa pras crianças... Será que a gente podia entrar e cantar alguma coisa pra elas?
- Bem... Pode, mas...
a observa, preocupado.
- Mas... – encoraja.
- Tem poucas crianças aqui agora, mas se vocês puderem esperar um pouco, os que estão aqui podem chamar o resto.
- Claro! Nós temos todo o tempo do mundo.
A senhora alarga o sorriso e abre o portão, deixando que os quatro entrem.
Aos poucos a arquibancada da quadra poliesportiva vai se enchendo de crianças. pode jurar que há mais de 100 crianças lá.
E realmente há.
Todos aqueles rostinhos estão olhando ansiosamente para eles, esperando ouvir algo que gostem e sabe que tomou a decisão certa. Aquelas crianças merecem aquilo. É seu presente de Natal para elas.
- Acho que você já pode começar – anuncia a senhora, os olhos brilhando de felicidade.
sorri pra ela e pergunta:
- A não está por aí?
- Não, ela não vem hoje pra cá, está muito ocupada com os preparativos de Natal...
- Tudo bem. Podemos começar, então. – vai até o microfone que acabou de instalar. – Boa tarde, pessoal! – grita.
- Boa tardeee! – entoam as crianças.
- Bom, para quem não sabe – continua –, nós somos o McFLY e viemos aqui hoje tocar para vocês! E a primeira música que tocaremos é para que se lembrem que não importa o que aconteça, vocês terão sempre um amigo para lhe apoiarem, ok?
Todos começam a bater palmas e escutam e cantam emocionados “You’ve Got a Friend”, fazendo sentir um aperto estranho no peito, uma sensação diferente daquelas que sente em um show, mas muito boa. Depois, o McFLY toca mais algumas músicas de própria autoria que realmente agitam a criançada. Ao fim do show, os integrantes da banda vão cumprimentar e conversar com algumas das crianças, uma delas, uma menininha de cabelos castanhos, pele morena e olho cor de mel, chega até e diz:
- Obrigada por virem até aqui, ninguém interessante veio até hoje! Foi o melhor dia da minha vida! – Ela abraça pela cintura, fazendo-o se sentir realmente conquistado por aquelas crianças e realmente satisfeito por ter feito aquilo.
e seus amigos caminham até a senhora que abriu o portão para eles, ele segura um envelope que preparou antes de sair de casa.
- Isso aqui é uma doação que estamos fazendo, de coração, para melhorar ainda mais esse projeto. – Ele entrega o envelope a ela, que o abre e quase cai pra trás ao ver a grande quantia de dinheiro vivo.
- Nossa... – Ela suspira. – Isso é muito!
- Por favor, aceite! – pede . – É de todos nós.
, e confirmam com a cabeça.
A senhora pondera e seus olhos se enchem de lágrimas.
- Vou aceitar pelas crianças. Muito obrigada.
Os quatro voltam para casa satisfeitos e deitam suas cabeças em seus devidos travesseiros tranquilamente, antes de um dia exaustivo na gravadora, onde veria novamente...
e entram primeiro na gravadora, vendo vir até eles praticamente cuspindo fogo, fazendo-os abrir caminho para ela até , que pára imediatamente; é forçado a desviar rapidamente, fazendo careta para , sem ainda entender a situação.
- Como você se atreve a ir até lá?! – dispara para .
, e saem de perto, disfarçadamente, indo para a recepção.
- Quem mandou você ir, hein? – empurra o envelope com a doação contra o peito de com força. – Eu não pedi dinheiro seu, eu não quero seu dinheiro!
- Ei, ei, calma! – tira a mão dela de seu peito. – Eu fui lá pelas crianças, ok?
ri nervosa, jogando a cabeça para trás.
- Eu conheço suas intenções! Se você acha que vai me comprar com seu dinheiro, está enganado! – Ela joga o envelope, acertando no rosto, e marcha em direção a sua mesa.
- Ei, volta aqui! – pega o envelope do chão e vai atrás dela. – Você não conhece minhas intenções, isso aqui é para as crianças, de verdade! – Ele deixa o envelope sobre a mesa.
- Vocês artistas acham que só porque têm dinheiro, todas as mulheres são pro bico de vocês!
- Eu não fui lá com a intenção de te comprar...
- Ah tá. Você só, de repente, teve uma vontade enorme de ajudar algumas crianças, juntou um monte de dinheiro e foi até a primeira comunidade que achou que, coincidentemente, é a mesma comunidade onde eu mantenho um projeto!
fixa seu olhar no dela, sem saber o que falar e simplesmente não consegue desviar, atraída por aqueles intensos olhos .
- Você precisa parar de me comparar com qualquer artista que conhece... – diz , finalmente, ainda mantendo seu olhar. – Eu sou diferente, não sou como todo mundo.
olha pra baixo, pega o envelope e o estende para .
- Você tá muito longe de provar isso...
Eles se olham novamente, ambos explodindo por dentro, quando Carlos se aproxima.
- Algum problema? – pergunta.
- Nenhum – responde prontamente, pegando o envelope e entrando pelo corredor.
Carlos o segue, assim como o resto do McFLY.
Após horas no estúdio gravando, e o resto saem da Sala 1 e caminham até a recepção, onde encontram ; todos, exceto , passam reto e vão para a porta.
- Será que eu posso falar rapidinho com você? – ele pergunta, segurando o envelope com ambas as mãos.
apenas levanta a cabeça, observando-o.
- Por favor, aceite esse dinheiro. É um presente de Natal do McFLY para aquelas crianças.
Ela respira fundo, fechando os olhos por alguns segundos.
- Desculpa, , mas eu não vou aceitar um presente de Natal de alguém que nem entende o significado do Natal.
- Mas eu entendo! O Natal é a época que eu mais gosto!
- Entende? – ri de leve. – Eu vi o que você escreveu no Twitter. Você está mais interessado em saber a quantidade de bolinhas de Natal necessárias para preencher sua árvore!
sorri.
- Então quer dizer que você me segue no Twitter!
Ela se vira de costas para ele, irritada, e começa a mexer nas coisas de sua mesa impacientemente.
- Eu não te sigo! Mas, infelizmente, sigo muitas pessoas que te seguem e elas deram RT na sua mensagem super materialista! Natal não é só para enfeitar seu super apartamento, ou comprar o melhor presente de todos! É uma época para se pensar no próximo também! Pensar na família reunida e na paz desse momento. E, no meu caso, garantir a centenas de crianças que elas tenham não só comida na mesa, mas um sonho de um feliz Natal realizado.
Agora foi a vez de respirar fundo.
- Olha, me dá só uma chance de provar que eu não sou a pessoa que você acha! A gente sai uma noite e eu juro, juro que se você continuar tendo a mesma opinião sobre mim, eu nunca mais te incomodo.
- Não, obrigada, também conheço esse jogo!
Antes que pudesse retrucar, o celular de começa a tocar.
fica parado, apenas observando e escutando a conversa.
- Então ele não vai poder mesmo? – pergunta preocupada. – Mas e agora? Como eu vou arranjar um Papai Noel a essa altura do campeonato? – Ela passa a mão pelo rosto começando a ficar desesperada. – Não, tudo bem... Eu vou ter que dar um jeito. Obrigada. Tchau. – Ela apóia as mãos na mesa, os olhos sem rumo.
- Qual o problema? – a observa, curioso e preocupado.
- Não te interessa!
- Vai, me fala! Talvez eu possa te ajudar, e eu tô vendo como você está desesperada.
coça a cabeça, pensando se deve ou não contá-lo, mas como se trata de algo importante, pelo menos pra ela, e qualquer coisa que possa ajudar é bem-vinda, resolveu dizer:
- Todo ano, na véspera de Natal, eu chamo um Papai Noel pra distribuir presentes na rua da comunidade; ele é a alegria das crianças, mas o senhor que sempre faz o Papai Noel, infelizmente, está doente e não poderá ir e eu não posso decepcionar as crianças; elas esperam por isso, aguardam por esse momento o ano todo!
- Eu faço!
o olha espantada.
- Faz o quê?
- O Papai Noel, oras! Me visto de Papai Noel e saio nas ruas distribuindo os presentes.
- Acho melhor não... – ela hesita.
- Por favor – pede –, quando eu fui à comunidade, por mais que não acredite, fiquei tocado por aquelas crianças. Eu quero fazer isso! E eu vou provar pra você que eu sei o que significa o Natal.
Ainda hesitante, mas sem muitas outras opções, aceita.
- Tudo bem, mas você vai ter que arranjar uma roupa de Papai Noel.
- Isso não é problema pra mim!
liga para uma amigo, que liga para outro amigo, que tem um tio que pode emprestar a roupa de Papai Noel para . Problema 1: resolvido.
veste a calça vermelha, põe o enchimento na barriga, veste uma camiseta branca, a jaqueta vermelha e o cinto preto; senta na cama, calça as meias e as botas pretas; levanta-se, vai até o espelho do banheiro, passa uma maquiagem para clarear mais ainda a pele e “gruda” a barba branca; pega o gorro de cima da cama, volta ao espelho, passa um gel no cabelo para assentá-lo e veste o gorro, tomando cuidado para cobrir todos os seus fios de cabelo. E o Papai Noel está pronto. Problema 2: resolvido.
segura a risada, tapando a boca com a mão; abre a boca, sem saber o que pensar a respeito e diz, quando vê entrando na sala de TV:
- Meu Deus! Esse é o Papai Noel com menos cara de Papai Noel que já vi na minha vida! Eu reconheceria de longe que é você!
- É o suficiente para fazer as crianças acreditarem e, apesar de sempre parecer, você não tem 6 anos. – alisa sua falsa barriga.
- Sabe o que seria legal? – ignora o comentário. – Se a gente filmasse isso e, aí, se alguém na rua descobrir que você é você, a gente daria algum prêmio!
nega com a cabeça.
- De jeito nenhum, não quero fazer com que isso pareça um golpe de marketing ou algo do tipo.
- Só tem um problema – comenta –, tá um calor de 37 graus lá fora...
- Está pronto? – pergunta com a mão ainda no volante do carro.
olha para fora, para o local que combinou de encontrar para começar a passeata.
- Acho que sim – responde, respirando fundo e se preparando para sair do ar condicionado do carro e enfrentar o calor do lado de fora.
Ele abre a porta e desce, fazendo um sinal positivo para que possa ir embora. Antes que possa tocar a companhia, abre a porta, respondendo a pergunta que nem pronunciou, mas demonstrou em sua expressão surpresa.
- Escutei o barulho de carro e presumi que era você.
dá de ombros.
o observa de cima a baixo, conferindo cada detalhe de sua roupa natalina.
- Bom, vamos logo que temos muito que percorrer. – Ela pega uma das sacolas de presente na mão. O resto será colocado no banco do carro que os acompanhará.
Eles realmente têm muito o que percorrer. Para a sorte, ou nem tanta, de , o caminho é uma descida, porém complicada e cheia de curvas. As crianças já estão todas posicionadas na rua, esperançosas para receber seu presente. Elas sabem que não vão ganhar nada grandioso e caro, mas só de recebê-lo diretamente da mão do Papai Noel, já é um presente e tanto! Mesmo aqueles que não têm mais idade para acreditar em Papai Noel, estão ansiosos por este momento.
E começa sua jornada, descendo a rua entregando os presentes na mão de cada criança, embaixo de, realmente, 37°C; um carro o acompanha atrás com uma caixa de som anunciando sua chegada e também caminha ao seu lado, entregando um presente de cada vez em sua mão. No meio do caminho, os efeitos do sol e da alta temperatura estão demais. A roupa de está encharcada, praticamente grudada em sua pele, a barba está começando a soltar e sua pressão está tão baixa que sua visão começa a ficar turva. Um dos presentes escorrega de sua mão, por causa do suor, e cai no chão, quando ele abaixa para pegá-lo, quase não volta mais, pois lhe dá uma tontura.
- , tudo bem? – pergunta , segurando em seu braço.
- Aham – ele responde rapidamente, continuando a entregar os presentes.
Ela apenas o observa, percebendo que não está nada bem, mas está se esforçando.
- Sério, , vamos fazer uma pausa, não tem problema – sugere.
- Não, sério, não precisa – ele insiste, secando o suor da testa com as costas da mão. Como se adiantasse.
Mais alguns passos e vacila mais uma vez, vendo tudo a sua volta escurecer. percebe e pega em seu braço.
- Vamos – diz.
Os dois caminham até o carro e pega o microfone instalado na caixa de som.
- Pessoal, o Papai Noel precisa fazer uma pausa para reabastecer seus sacos de presentes, mas nós já voltamos de onde paramos! Quem ainda não recebeu seu presente, vai receber! Não se desesperem!
mal entra no carro e joga a cabeça para trás, encostando-a no apoio para cabeça, e respira fundo, o suor ainda escorrendo pelo seu rosto vermelho. dá uma instrução ao motorista, mas não consegue entender; o carro entra em movimento enquanto ele apenas fecha os olhos.
Os dois entram na casa que foi o ponto de encontro mais cedo e o leva até o quarto.
- Tira a barba, o chapéu, a camisa, se quiser... – sugere.
obedece e fica apenas com a calça, o cinto e as botas. está ligando o ventilador do cômodo quando se vira e vê o peito nu de , ela não pode deixar de reparar e fixar o olhar lá por mais segundos do que desejava; retoma o fôlego e pergunta.
- O que você está sentindo? Sua pressão está baixa? Quer um copo de água?
fica um pouco confuso pelo número de perguntas.
- Eu... Aceito um copo de água.
pega as roupas que deixou no chão e leva para a área de serviço, para pendurá-las pelo menos alguns minutos antes dele vesti-las novamente, percebendo que, apesar do suor, elas emanam um perfume masculino muito bom, e sai. se levanta e vai para o banheiro lavar o rosto.
- Toma – diz , entregando o copo de água a .
- Obrigado. – Ele toma alguns goles enquanto o observa. Suas mãos tremem muito.
- Está melhor? – pergunta.
Ele sorri para ela, ignorando a dor de cabeça.
- Estou, obrigado.
- Olha, se você não quiser voltar lá, eu entendo...
- Não! De jeito nenhum! – retruca , em nenhum momento pensou nessa possibilidade. – Não vou decepcionar aquelas crianças que estão esperando por mim!
- Tá bom, tá bom! – ri. – Nós vamos voltar! – Ela passa os olhos mais uma vez pelo peito nu de , mesmo que inconscientemente, ficando ruborizada quando ele pigarra.
Os dois vão para a área de serviço, onde ajuda a colar a barba novamente e a esconder seu cabelo no chapéu. Eles ficam muito próximos e consegue sentir a respiração de em seu rosto, fazendo com que ele respire fundo e feche os olhos. Ela também está tensa, reunindo todas as suas forças para ignorar o fato de que sente atração pelo homem a sua frente.
- Vamos – ela diz de repente, cortando o clima que se instalou entre eles. – As crianças estão esperando. – Seu tom fica sério e ríspido para não deixar transparecer a sensação que sentiu no segundo anterior.
- Posso só perguntar uma coisa?
vira lentamente para ele, sem saber o que esperar.
- Pergunta.
- Como é que o cara que faz o Papai Noel agüenta?
- Ah – suspira, aliviada pela pergunta. – Ele já está acostumado, faz o Papai Noel há anos. Em shopping, passeatas e tudo mais...
assente com a cabeça, pensando em como ele é ridiculamente fraco.
- Você não é fraco – diz como se lesse seus pensamentos –, só não está acostumado a andar nesse sol, principalmente usando essas roupas.
Eles voltam à rua e o resto das crianças ainda esperam animadas. repara em uma das meninas, reconhecendo-a como sendo a mesma que o abraçou naquele dia em que vieram tocar.
Eles finalmente descem toda a rua e as crianças estão satisfeitas com suas bolas de futebol, bonecas e afins. Problema 3: resolvido.
Despedindo-se das crianças, volta a entrar no carro, esperando dar uma certa distância para tirar a barba e o chapéu, pega o celular e procura por na sua lista de contatos.
- Onde vocês estão? – pergunta quando acaba de atender.
- Estamos perto, você já acabou?
- Já, eu... – olha para ao seu lado. – Eu só preciso tomar um banho rápido.
- Ok. A gente já tá indo lá pra montar o equipamento, então...
- Fechado. – desliga o celular e olha para . – É... será que eu posso tomar um banho rápido lá naquela casa? Aliás, de quem é a casa?
- A casa é de uma amiga, que me ajuda com o projeto, mas... Tomar banho pra quê? Você não vai embora agora?
Ele sorri maroto.
- É uma surpresa. Confia em mim!
- Ok. Vou te dar esse desconto porque você ainda não está 100% recuperado da sua queda de pressão e não vou deixar você voltar pra casa desse jeito! Mas... Você tem outra roupa pra vestir, ou pretende fazer sei lá o que for usando essa roupa suada?
- Humm... – não pensou nisso. – Já sei!
Ele liga para e pede para que ele leve uma troca de roupa no endereço onde o deixou mais cedo.
Depois que desliga o celular e eles entram na casa, olha para ele com a testa franzida.
- ... Será que eu posso saber o que vocês estão aprontando?
- Não, já disse que é surpresa!
- ... – começa, acusatória.
- Por favor, confia em mim. É pelas crianças!
Se fosse antes, não confiaria por nenhum segundo, mas agora, depois de ver o esforço que fez, só para agradar aquelas crianças, ela confia na palavra dele. No fundo, por mais que ela tente resistir, por mais que ela negue até para si mesma, ela quer que ele fique mais. O sentimento que ela tem por não está mudando, simplesmente, ele sempre esteve lá, pois por mais que ela sempre diga que é igual aos outros, ela sabe que não. Ele nunca desistiu dela e, apesar de, às vezes, exagerar um pouco no número de cantadas, ele é um homem simpático e educado, ela só nunca quis admitir. E, mais do que isso, ela tem medo de se magoar, mas vem provando ultimamente, muito mais agora, que suas intenções são diferentes do que ela esperava.
Mais uma vez, a quadra poliesportiva está cheia, agora mais ainda porque os pais das crianças apareceram para ver o McFLY tocar.
Por mais que parecesse óbvio, ficou surpresa quando revelou que eles tocariam para as crianças, pois ela não imaginava que ele estaria disposto depois de tudo e agora ela está sorrindo, vendo todas as crianças sorrindo também; ela olha para , que está alegre ao lado de seus amigos, como se tivesse realizado por estar lá e ao mesmo tempo feliz por ter seus três amigos ao seu lado.
- Essa música não é nossa – diz no microfone –, mas é do nosso mestre: John Lennon. Feliz Natal a todos!
And so this is Christmas and what have you done? – Então é Natal e o que você fez?
Another year over, a new one just begun. – Outro ano acabou, um novo acabou de começar.
And so this is Christmas, I hope you have fun, - Então é Natal, espero que você se divirta,
The near and the dear ones, the old and the young. – Os próximos e o queridos, o velho e o novo.
A very merry Christmas and a happy new year, - Um Natal muito alegre e um feliz ano novo,
Let's hope it's a good one without any fear. – Esperamos que seja um bom ano sem medos.
And so this is Christmas for weak and for strong, - Então é Natal para os fracos e para os fortes
(war is over if you want it,) – (a Guerra acabou se você quiser,)
For the rich and the poor ones, the road is so long. – Para os ricos e os pobres, a estrada é tão longa.
(war is over now.) – (a Guerra acabou agora.)
And so happy Christmas for black and for white, - E então feliz Natal para brancos e pretos.
(war is over if you want it,) – (a Guerra acabou se você quiser,)
For the yellow and red ones, let's stop all the fight. – Para amarelos e vermelhos, vamos acabar com toda a briga.
(war is over now.) – (a Guerra acabou agora.)
A very merry Christmas and a happy new year, - Um Natal muito alegre e um feliz ano novo,
Let's hope it's a good one without any fear. – Esperamos que seja um bom ano sem medos.
And so this is Christmas and what have we done? – Então é Natal e o que nós fizemos?
(war is over if you want it,) – (a Guerra acabou se você quiser,)
Another year over, and a new one just begun. – Outro ano acabou e um novo acabou de começar.
(war is over if you want it,) – (a Guerra acabaou se você quiser,)
And so happy Christmas, we hope you have fun, - E então feliz Natal, esperamos que você se divirta.
(war is over if you want it,) – (a Guerra acabout se você quiser,)
The near and the dear one, the old and the young. – o próximo e o querido, o velho e o novo.
(war is over now.) – (a Guerra acabou agora.)
A very merry Christmas and a happy new year, - Um Natal muito alegre e um feliz ano novo,
Let's hope it's a good one without any fear. – Esperamos que seja um bom ano sem medos.
War is over – A Guerra acabou
If you want it, - Se você quiser,
War is over now. – A Guerra acabou agora.
As crianças passaram uma belíssima tarde com a ilustre presença do Papai Noel e com a apresentação do McFLY e agora a quadra poliesportiva está vazia, apenas com a presença de , , , , e mais três mulheres, responsáveis pelo projeto, ao lado de .
está terminando de arrumar os instrumentos que serão colocados dentro da van que os trouxe, quando vê se aproximando.
- Oi – ela diz.
- Oi.
- É... – mira o chão, envergonhada pelo o que está prestes a dizer. – Você se lembra quando eu disse que o Natal é uma época para pensar no próximo?
Ele inclina a cabeça levemente, confuso.
- Lembro.
- Bom, eu pensei muito no próximo, nesse caso, você. E aqui está o meu presente...
Ela se aproxima e espalma uma mão no peito de , enquanto a outra encontra sua nuca; ela começa um beijo tímido, mas a puxa pela cintura para mais perto e também enrosca seus dedos no cabelo dela, esquentando o beijo, acelerando ambas as respirações, esquentando ambos os corpos. Quando todos que estão ao redor percebem o que está acontecendo, e puxam uma salva de palmas para o novo casal, logo seguidas pelo resto, mesmo aqueles que não estão entendendo nada, causando risos ao casal. tira do chão e a gira, fazendo-a rir mais ainda.
- Tenho uma idéia para o Papai Noel do ano que vem – começa . Ele está sentado ao lado de , com os braços sobre os ombros dela, em um banco com encosto almofadado, no jardim de uma chácara, durante o almoço de Natal promovido pela gravadora.
sorri, esperando pela resposta.
- Ele podia usar bermuda, regata e chinelo Havaianas!
- Ah, tá, e a imagem que as crianças têm do Papai Noel? – Ela ri baixo.
- Ah, , elas são inteligentes, vai! Elas vão entender que o Papai Noel veio do Pólo Norte e precisa se adaptar ao calor daqui!
- Tá bom, tá bom... – se aproxima de e lhe dá um selinho. – Vou pensar nisso...
Eles começam um beijo mais profundo; acaricia a bochecha de e aperta a cintura dela com a outra mão; ela agarra a blusa dele e enrosca sua mão em seus cabelos. Depois de um tempo, eles se separam e se fitam, ambos sorrindo e pensando nos últimos dias. nunca imaginou um momento como esse e, para , isso é tudo o que ele queria por muito tempo, desde que conhecera há três anos.
- Esse é o melhor presente de Natal que já tive na minha vida! – ele verbaliza o que acabou de passar por sua cabeça.
- Esse é o melhor Natal que eu já tive! – afirma , apertando a mão de . – Obrigada por tudo, de verdade!
faz que não com a cabeça, dizendo que não há necessidade para agradecimento. Ele fez o que tinha que ser feito.
Os dois se beijam novamente e se separam ao ouvirem vozes se aproximando.
- Parece que teve mais gente que se deu bem nesse Natal... – comenta , olhando divertido para a visão a sua frente.
ri.
- Essa não perde uma oportunidade!
Os dois observam e passarem, de mãos dadas, com sorrisos bobos nos lábios e sem perceber a presença dos amigos; eles trocam palavras amorosas e se beijam sem desfazer o enorme sorriso do rosto.
- Esse é o espírito do Natal! – exclama , fazendo rir. Ele a abraça forte e a beija.
N/A: Aí está! Querida amiga secreta, eu não te conheço, então não sei se você vai gostar desse estilo de história, mas, enfim. Quando eu vi que seu preferido é o Tom, eu comecei a pensar no que eu podia escrever, aí, véspera de Natal, estava eu durante o banho, me preparando para a ceia, quando eu pensei: Vou fazer uma fic natalina! Afinal, Tom e Natal, tudo a ver! Hahaha Aí eu lembrei do Papai Noel que tava no shopping, em Caraguatatuba, naquele calor, usando aquela roupa e nenhuma criança em volta... E eu imaginei o Tom vestindo uma roupa de Papai Noel, passando o maior calor e a história toda foi surgindo na minha cabeça.
Por isso que eu quis que a história fosse no Brasil - não sei por que escolhi Rio de Janeiro, podia ter sido qualquer cidade, enfim -, pra ter coerência. Apesar de amar todo aquele clima de Natal com neve, mas acho que assim fugiu um pouco do clichê, não?
Enfim, espero que goste!
Xx – Lilá.
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